07/02/2017

É impossível ser feliz sozinho

Imagem de 90s, f.r.i.e.n.d.s, and amazing
Leia ao som de Wave.

Sim, é isso mesmo, é impossível ser feliz sozinho. E eu tive o prazer de descobrir isso um dia desses da forma mais bonita, por meio da saudade. 

Sempre vi a saudade como algo doloroso, algo que aperta aqui dentro, dói lá no meio, causa umas sensações estranhas e escorre pelos olhos. Mas esses dias ela veio de uma forma muito mais bonita, por meio de Tom Jobim. Não doeu, não fez chorar, não fez sofrer. Só confirmou que é impossível ser feliz sozinho.

Mas quando digo sozinho, não um sozinho de preciso de um par. Mas sozinho de preciso de alguém do meu lado. Preciso de alguém da minha família, preciso dos meus amigos, preciso das minhas cachorras.

É impossível ser feliz sozinho, porque por mais que eu ame a solidão e tenho inúmeros motivos, versos, rimas e sinfonias para canta-la, é impossível ser feliz sozinho. É impossível não ter nem que seja uma pessoinha ali que você ame e queira por perto, que queira viver por ela e com ela.

A saudade das minhas amigas bateu. Tom Jobim cantou. Wave que significou ''preciso de um amor'' ao treze, depois ''isso é mentira, não preciso de nenhum amor'' ao dezesseis, hoje, ao dezessete volta ao ''preciso de um amor'', mas um amor que seja abraço. Um amor que é minha avó, meus pais, meu irmão, minhas amigas. Um amor que seja fundamental.

Pois é, Tom Jobim, o amor se deixa surpreender enquanto a noite vem nos envolver...

04/02/2017

Sobre colocar em prática os conselhos que a gente dá


Faz um bom tempo que não escrevo. Sim, mais uma vez faz um bom tempo em que não escrevo. E a cada vez que essa crise de ''faz um bom tempo que eu não escrevo'' chega, ela me pega de jeito e me leva ao fundo do poço. Me joga na cama, me faz chorar até desidratar, me enche de brigadeiro e enche minha cabeça de pensamentos como ''é melhor você desistir'', ''isso não é pra você'', ''o que você escreve, todo mundo escreve''. E então, eu perco a linha e continuo no contínuo chorôrô. Faz parte de toda crise. Mas a última foi indescritível. Diferente de todas as outras. E essa me pegou de jeito porque nem o brigadeiro conseguiu apaziguar. 

O primeiro pensamento veio à mente como um rojão. Eu sou uma farsa. Sim, eu sou uma farsa. Tudo que falo, que acredito, que escrevo e que transmito não passa de uma mera hipocrisia, pois eu não coloco em prática. Falo de amor próprio, mas faz um tempo bom que esse não dá as caras por aqui. Pra falar a verdade, nem sei se já chegou a aparecer. Falo de ser feliz consigo mesma, mas não posso sentir uma carência que já procuro alguém que esteja disponível nem que seja por quinze minutos, para recitar um Soneto do Amor Total e depois partir. Falo sobre enfrentar problemas, viver sem dilemas, ter seus próprios esquemas; enquanto estou deitada na cama, começando mais uma série, com um prato de brigadeiro do lado e vendo o mundo passar pela janela do meu quarto.

Eu sou uma farsa.

Esse foi o pior pensamento de todas as crises. Me deu um golpe forte e eu nem sei se um dia vou me recuperar, mas se tô aqui é que algo aconteceu. E esse quase-milagre chama-se: amigos. Então desde já fica meu ''muito obrigada de corpo e alma'' para o ser que me disse algo que era mais ou menos assim: eu também dou conselhos que não sigo, mas isso não quer dizer que eu não acredite neles. Eu acredito no que falo, e se falo, é porque quero que a pessoa seja feliz. Se alguém conseguir ser feliz com isso, já vai me deixar feliz. Então não será uma tamanha hipocrisia.

Não, essas não foram as palavras exatas. Sim, foi algo regado de muito mais emoção e amor, pois a madrugada já dava as caras, e a pobre coitada foi pega no pulo quando liguei aos prantos. Mas foi de longe uma das coisas mais bonitas que já ouvi até hoje. 

Por isso decidi que de hoje em diante não vou mais me importar. Tudo bem se você me conhece bem demais e sabe que por dentro sou pura carência, loucura, perdição, desespero e vários outros adjetivos que não vem a mente ao momento. Mas tudo o que falo aqui, ali, aí, são coisas que acredito, são coisas que quero sentir, quero ser, quero fazer, quero viver. E quero que você, seja lá quem for, também tenha esse prazer. Afinal, se um pinguinho de felicidade inundou seu coração com um pequeno verso sequer que tenha saído de minh'alma, já tá de bom tamanho para me transbordar do lado de cá.

02/02/2017

Resenha: Roube Como Um Artista - 10 dicas sobre criatividade, Austin Kleon



Esse não é um livro de autoajuda, muito menos é um desses livros que você encontra por aí dizendo ''faça isso para se tornar isso'', é simplesmente um livro de conselhos, quase um diário, onde Austin Kleon conta coisas e fatos da sua vida, e como eles influenciaram - influenciam - em seu processo criativo.

Quando bati os olhos no livro, o título foi o que mais me chamou me atenção e assim, em uma noite, eu concluí essa belezura. Porque ele é um livro fininho e tão gostoso de se ler, que quando vai ver, já acabou. 


Este é um daqueles livros que não tem como explicar, só lendo. É o livro de cabeceira. O livro pra ficar na mochila. O livro para ler quando se perde. O livro para ler quando quer se achar. O livro para ler quando precisa de inspiração. O livro para ler e lembrar que faz bem parar um pouco, e viver um momento de procrastinação. 

Kleon faz uso do bom humor com todas as ideias que teve até hoje, e monta algo único, que não é tão único assim, pois como o autor ressalta, não há nada que já não fora criado. E toda arte, é uma espécie de junção do trabalho dos ídolos do artista.



Posso dizer que esse foi um dos melhores livros que já li até hoje. E que de hoje em diante, será um dos meus livros que ficam na minha mochila. Afinal, tem muita coisa linda aqui que te lembra de como é ser um artista!



Minhas partes favoritas(💜):
''Fomos crianças sem pais... então encontramos nossos pais nos discos, nas ruas e na história. Tivemos que pegar e escolher os ancestrais que inspirariam o mundo que construiríamos para nós mesmos.'' - Jay-Z (pág. 19) 

''Minha cartunista favorita, Lynda Barry, tem esse ditado: ''Em nossa era digital, não esqueça de usar suas digitais!'' Suas mãos são os dispositivos digitais originais. Use-as.'' (pág. 61)

''O computador é muito bom para editar suas ideias, e é bom para deixá-las prontas para publicar e lançá-las ao mundo, mas não é muito bom para gerar ideias. Há várias oportunidades para pressionar a tecla delete. O computador estimula o perfeccionista perturbado em nós - começamos a editar ideias antes de tê-las. O cartunista Tom Gauld diz que fica longe do computador até ter feito a maior parte da elaboração para suas tiras, porque, assim que o computador entra em cena, ''as coisas já se encontram no rumo inevitável da finalização. Enquanto no meu caderno de esboços as possibilidades são infinitas''. (pág. 66)

''O trabalho que você faz enquanto fica enrolando é provavelmente o trabalho que você deveria estar fazendo para o resto da sua vida.'' - Jessica Hische (pág. 72)

''Reserve tempo para se distrair. Perca-se. Sonhe. Nunca se sabe aonde isso vai levar.'' (pág. 75)

Resenha: Mentirosos, E. Lockhart

Título: Mentirosos
Autor(a): E. Lockhart
Editora: Seguinte
Páginas: 272
Classificação: 💜💜💜💜(4/5)
Onde comprar: Americanas, Saraiva, Submarino e Amazon
Sinopse: Cadence vem de uma família rica, chefiada por um patriarca que possui uma ilha particular no Cabo Cod, onde a família toda passa o verão. Cadence, seus primos Johnny e Mirren e o amigo Gat (os quatro "Mentirosos") são inseparáveis desde os oito anos. Durante o verão de seus quinze anos, porém, Cadence sofre um misterioso acidente. Ela passa os próximos dois anos em um período conturbado, com amnésia, fortes dores de cabeça e muitos analgésicos, tentando juntar as lembranças sobre o que aconteceu. "Emocionante, bonito e devastadoramente inteligente, 'Mentirosos' é absolutamente inesquecível." - John Green, autor de "A culpa é das estrelas" "Uma história assombrosa sobre como as famílias vivem suas próprias mitologias. Triste, maravilhosa e real." - Scott Westerfeld, autor de "Feios".

''Não importa se o divórcio retalha os músculos do nosso coração a ponto de mal conseguir bater sem esforço. Não importa se o dinheiro do fundo de investimento está acabando, se as faturas do cartão de crédito não são pagas e se acumulam sobre a bancada da cozinha. Não importa se tem um monte de frascos de comprimidos sobre a mesa de cabeceira. (...) Somos Sinclair. Ninguém é carente. Ninguém erra.''

Em Mentirosos conhecemos a família Sinclair. Uma família onde ninguém erra, ninguém sofre, ninguém perde. Eles sempre estão sorrindo, sempre estão por cima. E passam todas os verões em uma ilha particular próxima à costa de Massachussets.

Quem nos acompanha na história é Cadence, a neta mais velha. Ela foi criada para ser a melhor em tudo que faz ou cogita fazer - assim como todos da família. Mas com um carga de responsabilidade ainda maior por ser a primogênita entre as filhas de seus avós, e assim, tendo nas costas o fardo de que grande parte da herança da família ficará com ela. Mas não é isso que a menina quer.

A cada verão, os Sinclair se encontram em sua ilha, onde mostram para o mundo todo poder que detém e como são perfeitos. Só que claro, há milhões de coisas em baixo dos panos. Por trás temos uma família desestruturada emocionalmente, adultos que lutam por poder e dinheiro, adolescentes perdidos e com vontade de queimar tudo, e crianças desorientadas.

"Se você quiser viver em um lugar onde as pessoas não tenham medo de ratos, deve abrir mão de viver em palácios."

Até o verão dos 15 anos de Cadence as coisas costumavam ser calmas, mas tudo muda quando a idade vai aumentando e os interesses deixam de ser ficar na praia o dia todo com seus primos Johnny e Mirren, e Gat - um amigo -, que juntam são intitulados pelos ''Mentirosos''.

Quando as máscaras da família caem para os jovens, as coisas saem um pouco do controle e o resultado é um acidente de Cadence, que volta para a ilha dois anos depois com sequelas, traumas, enjoos, dores fortes de cabeça e perda de memória. Essa volta para o lugar que até anos atrás era calmo e ajudava a espairecer a cabeça, traz uma dor muito maior, pois ela se encontra com a verdade e entende o que de fato aconteceu naquele verão dos seus 15 anos.

''Nossa juventude está enfraquecida, não vamos desperdiçá-la. Lembre-se do meu nome porque fizemos história.''

No começo, eu não dava nada pelo livro. Comecei a ler por indicação de uma amiga e o primeiro capítulo até me prendeu, mas depois foi desandando pois achei que viria mais um romance enquanto eu esperava uma ''senhora história''. Deixei o livro de lado e fui me entreter com outras narrativas, até que lembrei de Mentirosos e resolvi retomar a leitura. Foi quando tudo aconteceu.

Esse foi um livro que realmente me prendeu. Virei a noite para chegar ao final e saber o desfecho da história, e quando cheguei lá, eu só fiquei parada, sem saber mais o que fazer. É engraçado como algumas folhas juntas com palavras dentro nos mudam, não é mesmo?

Nem sei dizer o que gostei mais, ou o que me deixou mais animada, ou o que mais mexeu comigo. Acho que para começar, tem o fato de os Mentirosos serem jovens críticos, não do tipo ''vamos mudar o mundo em um dia'' - como eu costumo ser -, mas eles terem a consciência das coisas que acontecem em suas famílias e compactuarem com tais ideias. Isso já me deixou em êxtase.

''Eu fico lá deitada e espero, e me lembro repetidas vezes de que a dor não dura para sempre. De que outro dia vai chegar e, depois dele, mais um. Qualquer dia desses, vou me levantar e tomar café da manhã e me sentir bem.''

Depois veio Gat. Gat que desde o começo mostrou-me o seu lado revolucionário que logo de cara fez o meu se encantar. Gat que muitas vezes amei e odiei ao mesmo tempo. Gat que mostrou-me ser parecido comigo em tantas partes que as vezes, me assustava, outras me entristecia. Esse personagem é incrível e entende-lo foi uma das partes mais difíceis de toda leitura - tem 5 dias que terminei o livro e até hoje não sei se o compreendi direito.

Também houveram as histórias soltas ao longo dos capítulos sobre reis, rainhas, princesas, ratos e etc. Muitas vezes me perdi tentando entender o significado das fábulas, outras eu lia e logo de primeira dizia ''é isso mesmo''.

E então, o desfecho. Sim, meus caros leitores, esse é o livro que você terá que chegar ao final para saber o que aconteceu. Quando você pensa que já entendeu tudo que se passou no verão dos 15 anos da Cadence, você vê que ainda há várias páginas pela frente e uma história que pode mudar a cada novo capítulo. E é isso mesmo que acontece.

''Nós pensamos. Conversamos. E se, dissemos, e se, em outro universo, numa realidade paralela, Deus apontasse o dedo e fulminasse Clairmont com um raio? E se Deus a incendiasse? Assim, puniria os gananciosos, os insignificantes, os preconceituosos, os ordinários, os cruéis. Eles se arrependeriam de seus feitos. E, depois disso, aprenderiam a se amar novamente. A abrir sua alma. Abrir suas veias. Apagar seu sorriso falso. Ser uma família. Agir como uma família. Não era algo religioso, da maneira como pensávamos. Mas ao mesmo tempo era. Castigo. Purificação pelas chamas. Ou ambos.''

Quando você chega ao fim dessa narrativa, fica meio perplexo, meio parado, sem saber o que fazer. Juntando os fios e tentando entender o que realmente aconteceu. A verdade está toda ali na sua frente, mas será que os seus pensamentos estão mesmo certos sobre o ocorrido? E como foi que certas coisas ficaram ali? São muitos questionamentos que até chegam a pedir uma continuação, mas boa história mesmo é aquela que sabe quando tem que acabar.

01/02/2017

As bibliotecas mais lindas do Brasil

Desde pequena tenho um carinho enorme por qualquer cantinho onde tenha um amontoado de livros e um lugarzinho para sentar e passar horas só lendo, lendo e lendo. Pode ser um cantinho do meu quarto onde fica minha pequena estante amontoada de livros ou a biblioteca da escola que é praticamente do tamanho do meu quarto, mas ainda assim não deixa de ser mágica. Com isso, fiz uma lista com as bibliotecas mais lindas do Brasil. Espero que gostem!

💗 Real Gabinete Português de Leitura - Rio de Janeiro, RJ
O Real Gabinete Português de Leitura é tida em várias listas internacionais como uma das bibliotecas mais lindas do mundo graças ao seu deslumbrante projeto arquitetônico, especialmente na decoração interna, envolta em rico acervo de autores lusitanos e por sua relação histórica com a capital fluminense. É a associação mais antiga criada pelos portugueses do Brasil após a independência de 1822. Foi inaugurado pela Princesa Isabel em 1887, e guarda cerca de 350.000 volumes (milhares de obras raras).

💗 Biblioteca Estadual do Amazonas - Manaus, AM
A Biblioteca Pública do Amazonas teve seu marco de criação no ano de 1870, mas seu espaço foi consolidado somente em 1910, em prédio construído em estilo neoclássico, na área central de Manaus. Apesar de ter fechado suas portas para reforma por um longo período, reabriu em 2013 atraindo o interesse do público local e de turistas de diversas partes do mundo que visitam o Amazonas.

💗 Gabinete Português de Leitura – Salvador, BA 

''O Gabinete baiano foi criado com a finalidade de adquirir “obras de reconhecida utilidade, escritas nos idiomas português e francês, e mais aquelas que posteriormente se julgarem mais precisas, assim como os principais jornais publicados em Portugal e no Brasil” (Ata n. 1, 1863). Os seus fundadores buscavam manter os laços de união entre o Reino e a comunidade luso-baiana, estabelecendo um núcleo de cultura portuguesa na Bahia através da Biblioteca.'' O edifício, contudo, do ponto de vista exterior, ricamente projetado em estilo Neomanuelino, é um primor projetado entre os anos de 1912 e 1915.

💗 Biblioteca de São Paulo – São Paulo, SP 

Construída onde funcionou Casa de Detenção do Carandiru, a Biblioteca de São Paulo, foi inaugurada em 2010. A atenção ao público jovem e infantil fazem desta Biblioteca um lugar especial e cheio de amor!

💗 Biblioteca Pública de Niterói – Niterói, RJ

A Biblioteca Parque de Niterói está localizada na Praça da República, um dos marcos arquitetônicos da região central da cidade. O projeto de construção da praça e dos respectivos prédios foi idealizado em 1913, com o objetivo de ali se fazer o grande centro cívico de Niterói. Hoje, a BPN é um importante espaço cultural da cidade e tem um forte vínculo com a comunidade.

Fora essas, há várias bibliotecas incríveis espalhadas por este Brasil. Então fica aqui um pedido para você: deixa nos comentários o nome e o local de uma biblioteca que você gosta!