21/09/16

O nosso amor a gente inventa




Já havia passado das duas da manhã e o movimento do estabelecimento começava a cair. Eu estava na minha quinta dose de um ''drink da casa'', como pedi ao garçom. Ao fundo, tocava uma música qualquer dos Engenheiros do Hawaii e aqui dentro, batia um coração descompassado, desapoderado, desesperado. E eu ria ao cantarolar por dentro Exagerado, grande sucesso do Cazuza.

Era a quarta vez na semana em que o meu fim do dia se resumia em um bar qualquer da zona sul do Rio. Com gente demais ao redor, uma música que tentasse contornar meus pensamentos e álcool para acalmar meus sentimentos. Para ser ainda mais clichê do que já estava se tornando, era apenas mais uma dor de amor que eu estava curando - ou tentando curar.

Foi quando a música parou. Um grupo de amigos subiu ao palco e disse que naquele 7 de julho queriam homenagear seu grande amigo aniversariante. Eu ri da situação por lembrar dos meus tempos de faculdade, quando as meninas pararam um bar para que cantássemos Evidências. Parece que os anos passam e as coisas nunca mudam. 

Como boa observadora - e escritora -, resolvi me atentar a situação, quem sabe desse em algum texto bom. Disseram que o amigo, ao qual apresentaram por João, estava aniversariando. Eram os seus vinte e nove anos, e deveriam ser memoráveis. Com isso, entregaram o microfone para ele e eu fechei os olhos esperando o pior. 

Então soou ao meu ouvido uma das vozes mais distintas que já escutei. Os primeiros versos de O Nosso Amor A Gente Inventa saíram quase num sussurro e depois tomaram uma força ensurdecedora. Quando dei por mim sorria sem motivo e ainda batia palma junto aos seus amigos bêbados - e um tanto alucinados. 

Quando vi, a dor de amor com ao qual cheguei naquela noite havia passado. E neste momento outra me dominava.

E eu só conseguia pensar o quanto ser escritor é uma merda. É sair por aí inventando amores. Cobiçando beijos. E quem sabe, tendo a sorte de ter um amor tranquilo.

17/09/16

Resenha: Até Eu Te Encontrar, Graciela Mayrink

Título: Até Eu Te Encontrar
Autor(a): Graciela Mayrink
Editora: Novo Conceito
Páginas: 384
Classificação: ♥  ♥ ♥  
Onde comprar: Saraiva
Resenha: O quanto uma mudança de cidade pode afetar uma vida? Você acredita em alma gêmea? Como você se sentiria se não gostasse do grande amor da sua vida? É o que Flávia vai descobrir ao deixar Lavras, onde mora com os tios desde o acidente que matou seus pais, quando era criança. Aos dezoito anos, ela decide estudar Agronomia na Universidade Federal de Viçosa, trocando o sul de Minas pela Zona da Mata do mesmo Estado na esperança de uma "mudança de ares". Em sua nova vida, ela conhece Sônia, amiga de infância de sua mãe e agora sua vizinha, que lhe conta a história de sua família materna, até então desconhecida para Flávia. Embora o passado não seja sua maior preocupação, Flávia reluta em aceitar seu destino e ainda precisa superar uma paixão não correspondida pelo seu melhor amigo. Para se ver livre dessa rejeição, ela tenta atrair sua alma gêmea para Viçosa e descobre que o grande amor de sua vida é uma pessoa que ela não suporta.

"Coincidências não existem. - disse Sônia - O que acontece é que a vida sempre nos leva na direção de certas pessoas."

Faculdade. Cidade nova. Pessoas novas. Novas descobertas. Vida nova. E assim iniciamos ''Até Eu Te Encontrar'', com a nossa mocinha, Flávia, indo para a Viçosa cursar Agronomia.  Flávia sempre viveu no campo com seus tios,  desde que seus pais faleceram em um trágico acidente de carro a alguns anos atrás. E tudo se encontra perfeitamente bem, logo de cara nossa mocinha faz amigos e adentra facilmente ao mundo da UFV. 

Logo no primeiro dia ela conhece Felipe - a minha primeira paixão do livro - que a salva de um trote. Com o decorrer do semestre, os dois se tornam amigos inseparáveis. Em uma de suas primeiras aulas, ela também conhece Gustavo, um amor de menino que logo se torna um grande amigo e companheiro - meu segundo crush literário desta obra.

Mas como bem sabemos, nem tudo são flores na vida universitária e fora isso, ainda tem todos o psicológico e histórias que trazemos conosco, e com a Flávia não é diferente. O motivo pelo qual ela escolheu Viçosa para cursar Agronomia é o fato de que sua mãe nasceu em uma cidade próxima, e o fato de não saber quase nada sobre a mesma e o silêncio de seus tios quanto ao assunto, é um dos principais motivos que a levam para a cidade.

Graças ao acaso, sua vizinha de porta em seu novo prédio é Sônia, uma amiga de sua mãe. Logo de início as duas se tornam amigas e ao descobrir que Flávia é filha de sua antiga amiga, Sônia ''adota'' a menina como sua filha e faz de tudo para ajuda-la. Através de Sônia, Flávia conhece Laura, uma outra amiga de sua mãe, e também conhece Lauren, filha de Laura, que logo se torna sua melhor amiga.

“Para ela, bruxa sempre foi aquela mulher velha, com uma verruga no nariz, cozinhando em seu caldeirão alguma poção para fazer maldade a alguém. Mas ultimamente vinha ouvindo muito essa palavra para definir outros tipos de pessoas. Carla, as mulheres da família Mayfair e agora Sônia.”

Com o tempo, Flávia descobre várias coisas sobre sua mãe e uma delas - a principal - é que ela era uma bruxa Wicca, junto com suas amigas Sônia e Laura. E com isso, começa a parte ''mágica da trama e os capítulos começam a ganhar muito mais sabor. Com essa descoberta vem vários acontecimentos incríveis, mas também vem problemas com alma gêmea. E por falar em alma gêmea, Flávia acaba tendo um envolvimento romântico com Felipe - o que já era de se esperar -, só que o rolo não vai pra frente e isso só serve para magoar o coraçãozinho da nossa mocinha.

Até que chega a cidade Luigi, grande amigo de Felipe, que estava de férias com a família na Europa. E claro, quem é a alma gêmea da nossa menina? É Luigi. E falando assim tudo pode parecer muito fácil, se não fosse a paixão de Flávia por Felipe, a namorada de Luigi, Carla, que também é bruxa e vai fazer de tudo para atrapalhar o romance dos dois e claro, o ódio mortal que Flávia sente de Luigi. 

“O fato de ele ser sua alma gêmea não quer dizer que vocês precisem obrigatoriamente ficar juntos. Existe o livre-arbítrio, embora ele esteja no seu destino. Mas você pode escolher. Só que isso não significa que você não vá amá-lo pelo resto de sua vida, mesmo que tome outro caminho.”

Quando vi a capa pensei que o livro iria tratar de coisas ''sobrenaturais'', mas não foi assim e isso foi uma surpresa e uma alegria para o meu coração. Além de conhecer coisas novas sobre a Wicca, ainda ativou minha curiosidade para a mesma e me levou a horas de pesquisa sobre.

Fora isso, ainda tem o fato da narrativa gostosa criada pela autora, que encantou meu coração e fez a leitura fluir rapidamente. Não é aquele tipo de leitura cansativa, sabe? Ela simplesmente acontece e quando você vai ver, já está terminando o livro. A forma como os acontecimentos são contados também ajudam muito e te fazem entrar ainda mais na história, como sentir o cheirinho do pão de queijo de cada manhã da padaria que fica perto da casa de Flávia. Ou sentir a energia boa que emana de Sônia. 

Os personagens secundários também são uns amores e totalmente apaixonantes. E claro, o Luigi que é a gracinha em pessoa e dá vontade de ter um só pra gente!

Meu muito obrigada a Graciela por esta obra incrível que tocou meu coração e me mostrou que minha alma gêmea tá por aí, eu não preciso ter pressa, só saber que quando for a hora, ela vai chegar.

14/09/16

Eu tô aprendendo a sobreviver a tanto estudo


"Miga, eu tô estudando, só que tô morrendo no meio do caminho!"

Ontem antes de dormi eu decidi que hoje, quarta feira, seria o dia que eu voltaria a passar horas estudando igual antes das férias. Não tinha erro, estudaria a noite e descansaria à tarde. Não tinha como dar errado, certo? Errado!

Essa semana no curso de inglês estamos falando sobre profissões e faculdade e minha professora perguntou quais eram nossos planos, bem, nossos planos são estudar. E ela perguntou: "estudar para quê? O que você quer ser?"

E metade vacilou em responder medicina, houve sussurros sobre direito e no fim todos deram de ombros e disseram não saber ainda. E ela finalizou dizendo: "Vocês estudam tanto e nem sabe ainda para o que estão estudando!" 

E assim, em tom brincalhão e descontraído, ela fez a interrogação interna brilhar, latejar e doer. Passamos tardes e noites estudando, mãos com calos, mesa cheia de pedaços de borracha, botões de calculadoras gastos e no fim das contas nem sabemos ainda o que queremos fazer, o motivo de tanta horas se dedicando, esgotando, se matando aos poucos. Há quem diga que gosta de estudar, eu até me arrisco a dizer que gosto, mas também digo que me mata aos poucos, arrebenta minha mão, minha cabeça roda, dói e por fim pede um tempo. 

Afinal de contas, o que é essa obsessão de estudos, vestibular, faculdade, medicina, dissertação que criamos? Que tipo de ensino estamos aprendendo? Como aplicamos o conteúdo de física em nossas vidas, como interpretar aquilo além das fórmulas de variação? Porque nas provas eles querem fórmula, só. "Fórmula, dez, correto, não fez mais que sua obrigação, boletim azul, desenvolvimento, conclusão, faculdade" é isso que se escuta dos professores, da escola, de todos. 

Que tipo de pessoas nos tornamos quando viramos noites pra dar conta do conteúdo de química e filosofia, o que acrescenta a pessoa em si saber ou não saber identificar o coeficiente linear? 

Afinal de contas, apesar de toda propaganda, que tipo de estudantes estão se formando? 

Voltando para mim, não estudei hoje. Quando abri minha agenda descobri um trabalho gigante de biologia que me consumiu duas horas e trinta e sete minutos. Hoje eu devia estudar física e geografia, devia ler e copiar, devia esgotar meu corpo um pouco mais, só pra poder, TALVEZ, me sentir mais preparada para o ENEM, a prova que te mata em dois dias e te faz ressuscitar pra te matar mais lentamente com os resultados. 

É assim que ando no ensino médio, meio morta, meio no automático. Decorando fórmulas, fazendo as redações, estudando sobre MST, revolução verde, energia cinética, artrópodes, dilatação linear, socialismo e qualquer outra coisa que é tão tão tão importante que eu não consigo lembrar agora. 

Só concluo dizendo que hoje está calor demais, meu cérebro tá cansado demais, minhas costas pedem por um colchão, eu me sinto mal após fazer exercícios de vestibular e me sinto cada dia mais menos confiante quando estudo biologia, a reflexão que trago pra você é, que tipo de ensino você está praticando? Você, assim como eu, se desgasta pra aprender um pouco mais, se sente cansado depois de tanta conta e você sabe no seu fundo que não é preguiça, é simplesmente exaustão de tanta matéria que você PRECISA pra passar em uma prova de dois dias no fim do ano? Como se a prova definisse toda sua educação, é assim que você quer se formar? 

E vou além, como anda sua saúde mental? 
Aposto que bem mal, igual a minha. 

Bem vinda ao clube da luta diária pra descobrir sua profissão e no meio do caminho ter crise de ansiedade, pânico, noites de choro e exaustão, porque aparentemente, o sucesso vem da dor e do "esforço". 

É só isso mesmo, agora eu vou deitar e me sentir só um pouco culpada por não ter usado o Descomplica hoje e amanhã ir pra escola e fazer tudo de novo. 


07/09/16

Virou poesia


[Ouça ao som de Só sei dançar com você]

Quando ele chegou, eu disse ''Tudo bem!''. Tudo bem porque seria apenas mais um dentre os demais que as vezes vira prosa, n'outras vira poesia. Ou então vira apenas uma lembrança qualquer que toca ao som de Los Hermanos, quem sabe um Djavan. Mas não foi tão bem assim.

Ele virou prosa. Conto, crônica, um livro talvez. Não demorou muito para que virasse a minha definição de poesia. Quando dei por mim, havia virado até mesmo um sonho. Um sonho de quarta, que depois foi para quinta, sexta, finais de semana e do nada tornou-se a única imagem que rodeava os meus pensamentos na calada da noite.

E como se já não bastasse, virou uma lembrança boa, bonita, que acalma o coração, mas que de uma forma inexplicável ainda permanecia viva. E como não é qualquer um, resolveu virar lembrança logo com Legião. Me diz, como superar alguém que sempre vem a sua mente ao som de Renato Russo? 

Ele virou o nome que rapidamente dominou as últimas páginas de todos os meus cadernos. Virou o sorriso que eu dava sem perceber ao ler uma mensagem idiota com algumas de suas piadas sem pé nem cabeça. Virou a sensação gostosa que era vê-lo, mesmo que através de uma tela. Virou melodia aos meus ouvidos com sua voz. 

Virou tudo.

Me virou de cabeça para baixo e quando eu vi, estava aqui, revirada nesta saudade apertada. Revirada neste mar de sentimentos contraditórios. Quando eu vi, ele já fazia parte de mim, mas do que qualquer um já fez. Mais do que já deixei qualquer pessoa fazer. E então a saudade começou a bater. E me destruiu.

Poderia ser algo qualquer, alguém qualquer, mas não. Ele escolheu ser poesia.

21/08/16

Resenha: Confusões de um garoto, Patrícia Barboza

Título: Confusões de Um Garoto
Autor(a): Patrícia Barboza
Editora: D'Plácido
Páginas: 164
Classificação: ♥  ♥ ♥  
Sinopse: Após as férias de verão, Zeca se olhou no espelho e não reconheceu o garoto ali refletido. Ele tinha crescido e mudado muito. Parecia outra pessoa! Estava mais alto, com a voz mais grave, e o que mais causava espanto: seu repentino sucesso com as garotas! Então veio uma descoberta bastante confusa: ser adolescente não é nada fácil. Não é mais criança, mas também não é adulto ainda. E ali, no meio do caminho, um bocado de coisas novas (e bem estranhas!) passaram a acontecer. Além de lidar com a nova aparência e a popularidade, algumas perguntas começaram a provocar confusões na cabeça de Zeca... Por que suas irmãs gêmeas viviam se arrumando, tirando selfies e falavam sem parar? Por que certas coisas que antes eram tão legais não tinham mais a mesma graça? Por que o perfume que a Júlia deixou no rosto de Zeca mexeu tanto com ele? E a principal questão: Por que ele não consegue parar de pensar nela? Nesta história divertida, você vai acompanhar Zeca enquanto ele navega pelos altos e baixos que surgem com a adolescência e descobre que, seja como for, o importante é ter ao lado as pessoas que amamos.

''Então vesti o uniforme e fui para a cozinha tomar café. E ali estavam as minhas irmãs, já mais do que acordadas. Estavam elétricas. Nunca vi tanta alegria num primeiro dia de aula. As férias estavam tão boas...''

Em Confusões de um Garoto conhecemos Zeca, um garoto que vê sua vida completamente mudada após a chegada da famosa puberdade e o início do 9º ano. Nos últimos três meses de férias, ele teve muito tempo para refletir, para crescer, para ver espinhas nascerem por todo seu corpo e para se desenvolver. E isso o assusta. Fora esses problemas, ainda tem sua melhor amiga, Júlia, que começa a desperta um novo sentimento dentro dele e isso o assusta. Tem suas irmãs, que são uma graça, mas que na concepção de Zeca são duas tagarelas idênticas - elas são gêmeas! Ainda tem a separação de seus pais que até hoje é repassada na cabeça do nosso protagonista e que ele não entende, pois tem certeza que eles ainda se amam.

No geral, Zeca é apenas mais um menino que com o passar dos anos tem a cabeça tomada por inúmeros questionamentos e inseguranças, e que tenta viver e aprender no meio disso tudo. O que diferencia este livro dos demais é simplesmente o fato de que ele é narrado pelo próprio Zeca, ou seja, temos uma ideia do que é ser um menino e vivenciar os mesmos problemas, que nós, meninas, vivenciamos nesta época da vida.

Pelo o livro ser fininho, não posso falar muito, afinal, não posso enche-los de spoiler, mas garanto que vocês não irão se arrepender! A leitura é gostosinha e rápida, e quando você vai ver já acabou. O que me fez lembrar A Consultura Teen que também é outro sucesso e amor de livro da Patrícia Barboza. Essa escritora tem um jeitinho só dela de escrever que faz com a história flua rapidamente e quando chegamos ao final, sempre queremos mais!
“ – Ai, pai! – Eu queria me esconder embaixo da mesa – Que mico.– Mico por quê? – Ele riu. – Garotos se apaixonam.– Que cilada! Apaixonado pela melhor amiga. Tem coisa mais clichê? Não existe tema mais batido que esse em novela e filmes. Só que agora eu sou o protagonista.”
E o que falar sobre ter uma personagem com o meu nome? Alegria define e muito amor também! Quem me conhece bem sabe que se tem uma coisa que eu amo é quando encontro algo que tenha as cinco letrinhas que compõe meu nome e quando vi, que logo a grande paixão do Zeca se chamava Júlia, meu coração não se aguentou de alegria!

Fora isso, o livro também trata sobre um assunto super importante que ao meu ver, precisa ser tratado em todas as escolas, mas que quase não vemos falarem sobre isso... o cyberbullyng! No livro, algum aluno cria uma página na internet para denegrir a imagem de outros alunos da escola e isso dá um grande problema. O assunto foi abordado de uma forma leve e desconstruída, e nos mostra que tem como acabar com este grande problema sim!

O final é esperado e fofo ao mesmo tempo. Dá um ar de esperança a nossos coraçãozinhos que anseiam por histórias de amor e por viver aquele amor gostoso da adolescência. E ainda dá uma vontade de ''quero mais!'', afinal, o 9º ano é um ano cheio de descobertas, mas todos sabemos que o Ensino Médio nos guarda muito mais histórias - fica aqui o pedido por uma continuação!